As implicações do COVID-19 nos Transtornos Alimentares (Parte 1)

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AS IMPLICAÇÕES DO COVID-19 NOS TRANSTORNOS ALIMENTARES (Parte 1)

Este texto será dividido em 2 partes e foi baseado no artigo COVID‐19 and implications for eating disorders, publicado em 2020 no European Eating Disorders Review.

    Os transtornos alimentares (TA) são doenças graves que apresentam um elevado risco clínico para a saúde do indivíduo. As preocupações excessivas sobre ganho de peso, corpo e alimentação podem contribuir para o desenvolvimento de uma relação conturbada com a comida.

    O efeito do COVID-19 na fisiopatologia dos transtornos alimentares permanece desconhecido, porém a pandemia tem influência direta no aumento dos fatores de risco para o desenvolvimento de um TA, deixando as pessoas com maior tempo ocioso dentro de suas casas, traz o aumento da exposição a redes sociais, bem como uma intensa procura por vias de controle de peso, medo de engordar e a supervalorização do ideal de magreza. Esses fatores em indivíduos sem predisposição genética a um transtorno alimentar podem gerar comportamentos negativos de controle de peso, e em indivíduos com predisposição pode ser um gatilho para o surgimento da doença. A literatura também descreve problemas de regulação emocional que se apresentam através de episódios de comer excessivo, compulsão alimentar e comportamento purgativos – que surgem com o intuito de regular emoções desagradáveis. Pessoas com traços de personalidade controladora podem apresentar mais episódios de restrição alimentar para sentir-se seguros ou no controle da situação.

MUDANÇAS NO TRATAMENTO

No contexto do COVID-19, apenas visitas urgentes e tratamentos hospitalares para casos de transtornos alimentares severos são providenciados, sendo recomendados tratamentos online ao invés de pessoalmente. Isto permite que os pacientes sejam tratados em regime ambulatorial durante o período da pandemia. Além disso, a comunicação entre os prestadores de cuidados de saúde e o seu sistema de apoio (familiares e amigos) pode ser gerida por métodos de telessaúde individuais ou em grupo. É importante ressaltar que alguns aspectos da avaliação podem ser difíceis de serem monitorados sem contato presencial, especialmente em casos mais extremos, como por exemplo, pacientes gravemente abaixo do peso (IMC abaixo de 17,5), comportamentos auto lesivos ou suicidas. Nestes casos, a hospitalização pode ser necessária, para preservar o paciente, suas famílias e os profissionais.

IMPACTOS NA ANOREXIA NERVOSA

    Lidar com a drástica mudança na comunicação durante a pandemia gerou discussões sobre estratégias dos profissionais da saúde para permanecerem conectados com os pacientes. Os indivíduos com anorexia eram ambivalentes sobre as chamadas de vídeo. Uma consequência negativa do tele atendimento foi a maior exposição corporal (rosto), o que levou a autocrítica excessiva sobre a autoimagem, sendo este um fator que interfere diretamente no tratamento. O impacto deste confronto constante com a autoimagem de seus rostos foi amenizado ao longo do tratamento, ajudando os pacientes a focarem no rosto do profissional e diminuir a checagem de sua aparência no tele atendimento, afinal na conversa com outras pessoas presencialmente não ficamos checando nossos próprios rostos. Outros pacientes que não conseguiam lidar com a exposição do rosto, sentiam-se mais confortáveis deixando a câmera desligada, sendo recomendado fazer alguns combinados em relação a intercalar o tempo de exposição na câmera, por exemplo, deixando-a desligada nos minutos iniciais e quando sentir-se confortável ligar a câmera na metade para o final do atendimento.... Continuaremos a parte 2 deste texto na próxima quarta-feira. Não perca!

Revisão técnica: Fellipe Augusto de Lima Souza – CRP: 06/138263

Referência bibliográfica: Fernández‐Aranda, F., Casas, M., Claes, L., Bryan, D. C., Favaro, A., Granero, R., ... & Menchón, J. M. (2020). COVID‐19 and implications for eating disorders. European Eating Disorders Review, 28(3), 239.


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O novo Modelo Maudsley é uma modalidade de intervenção familiar destinada a pais, cuidadores e familiares de pessoas com transtornos alimentares graves. Pela primeira vez no Brasil, a Prof° Jenny Langley, em ensinará aos clínicos diversas estratégias de comunicação, manejo comportamental, habilidades de autocuidado e como instrumentalizar os familiares durante todo o percurso de tratamento.                                                                    


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O Papel da Alimentação nas Relações Familiares de Adolescentes com Anorexia Nervosa e Bulimia no Nordeste do Brasil

Este texto foi baseado no artigo The Role of Food in the Family Relationships of Adolescents With Anorexia Nervosa and Bulimia in Northeastern Brazil: A Qualitative Study Using Photo Elicitation, publicado em Abril de 2021 no Frontiersin Psychatry.

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Uma revisão sistemática das descobertas eletrofisiológicas em Transtornos Alimentares Compulsivos

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