Cuidando dos familiares de pessoas com Transtornos Alimentares e Profissionais de Saúde durante o período de pandemia do COVID-19 (Parte 2)

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CUIDANDO DOS FAMILIARES DE PESSOAS COM TRANSTORNOS ALIMENTARES E PROFISSIONAIS DE SAÚDE DURANTE O PERÍODO DE PANDEMIA DO COVID-19 (Parte 2)

Este texto é a continuação da parte 1 e foi baseado no artigo COVID‐19 and implications for eating disorders, publicado em 2020 no European Eating Disorders Review.

    Na primeira parte deste texto discutimos os potenciais prejuízos da pandemia nos transtornos alimentares, mudanças no tratamento e os impactos em pacientes com anorexia nervosa. Nesta segunda parte iremos focar no equilíbrio assistencial entre pacientes, cuidadores e profissionais de saúde.

    No tratamento dos transtornos alimentares é essencial a elaboração de uma rede de apoio com cuidadores e pessoas que podem ajudar o indivíduo durante a sua recuperação. Os familiares neste momento de pandemia são alicerces primordiais para um bom desfecho clínico dos combinados feitos entre pacientes, psicólogos, nutricionistas e médicos. Os grupos de tratamento no período de pandemia precisam abrir assistência aos familiares, elaborando uma rede de apoio ao cuidador para manterem-se aderentes ao tratamento de seus entes queridos e não negligenciarem seu autocuidado durante este período.

    Os familiares podem sentir-se mais receosos com a redução repentina do contato físico com os profissionais e centros de tratamento de transtornos alimentares, sendo este um sentimento comum que precisa ser administrado para não se transformar em um problema que interfere no tratamento. Os procedimentos neste período envolvem uma maior responsabilização do paciente com o próprio tratamento, tomando cuidado para não ceder aos comportamentos alimentares transtornados e quando estiver prestes a ceder, pedir apoio aos familiares e profissionais para conseguir lidar com este difícil momento.

CUIDANDO DOS CUIDADORES

    Os cuidadores têm os seus limites, assim como todas as pessoas, precisando de assistência e apoio para conseguirem ajudar o seu ente querido com transtorno alimentar. É um caminho que necessita de aconselhamento profissional, apoio, colocar limites e preservar o seu autocuidado. É importante perceber os seus limites dentro do tratamento e respeitá-los para conseguir manter-se bem para ajudar o seu familiar. Os transtornos alimentares por serem doenças ambivalentes, em termos de “querer se tratar” e “se opor ao tratamento”, pode ser difícil para os cuidadores conseguirem entender e permanecerem motivados durante o percurso. Por isso, é primordial que o cuidador tenha sua rotina, possa ter seus momentos de descanso, fazer coisas que gosta, ter pausas, filiar-se a um grupo de apoio e pedir ajuda para a equipe profissional quando necessário.

E OS PROFISSIONAIS?

    As pandemias representam um duplo problema para os profissionais de saúde. Um recente estudo realizado na China com profissionais de saúde que foram expostos à COVID-19, mostrou que muitos deles sofriam de angústia, sintomas depressivos, ansiedade e insônia. A gravidade dos sintomas foi mais pronunciada em enfermeiras e trabalhadores da linha da frente. A quarentena pode levar a sintomas de estresse pós-traumático, raiva, confusão, e até suicídio. A gravidade desses sintomas aumenta com a duração da quarentena e pode persistir durante muitos anos.

    O autocuidado do profissional de saúde faz-se primordial para um bom funcionamento. É importante permanecer comunicando, falar de seus medos, receios e inseguranças. Lembrar que todos estão enfrentando juntos esse momento de incerteza e tudo bem não se sentir bem todos os dias. Se possível, tenha um espaço para poder receber apoio, sem receio de ser julgado ou desqualificado por suas emoções. Em casos mais graves, quando seus limites forem ultrapassados e perceber que está adoecendo, é importante se desligar do trabalho para preservar seu autocuidado e procurar ajuda.

Revisão técnica: Fellipe Augusto de Lima Souza – CRP: 06/138263

Referência bibliográfica: Fernández‐Aranda, F., Casas, M., Claes, L., Bryan, D. C., Favaro, A., Granero, R., ... & Menchón, J. M. (2020). COVID‐19 and implications for eating disorders. European Eating Disorders Review, 28(3), 239.


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Resultados adversos na gravidez e pós parto e a associação com transtornos alimentares

Artigo baseado no texto Eating disorders are associated with adverse obstetric and perinatal outcomes: a systematic review publicado em 2021 no Brazilian Journal of Psychiatry

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O corpo questiona e a mente julga: Desejos por comida em Transtornos Alimentares

Esse texto foi baseado no artigo The body asks and the mind judges: Food cravings in eating disorders publicado em Janeiro de 2020 na L’Encéphale - journal of general Psychiatry.

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Transtornos Alimentares em pacientes pós cirurgia bariátrica: A cirurgia bariátrica está envolvida no desenvolvimento de transtornos após o procedimento?

Este texto foi baseado no artigo The Development of Feeding and Eating Disorders after Bariatric Surgery: A Systematic Review and Meta-Analysis publicado em 2021 na Revista Nutrients.