Monitoramento do peso de crianças e adolescentes com Transtornos Alimentares via Telessáude (Parte 2)

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MONITORAMENTO DE PESO DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES COM TRANSTORNOS ALIMENTARES VIA TELESSAÚDE (Parte 2)

Este texto é a continuação da parte 1 e foi baseado no artigo Family-based treatment via videoconference: Clinical recommendations for treatment providers during COVID-19 and beyond, publicado em 2020 no International Journal of Eating Disorders 

    Na parte 1 deste texto discutimos sobre o que seria a terapia baseada em família (FBT), sua visão agnóstica sobre os transtornos alimentares e as fases de tratamento. Nesta segunda parte, daremos continuidade falando especificamente sobre o levantamento das principais dificuldades e possíveis soluções no tratamento da FBT via telessaúde.

    Considerando que os TAs são doenças que ameaçam a vida, o tratamento multidisciplinar permanece necessário, mesmo em meio à crise global de saúde. Há muitos desafios gerais na prestação de cuidados via telessaúde para crianças e adolescentes com transtorno alimentares, sendo eles:

MONITORAMENTO DO PESO

    No tratamento dos TAs, o monitoramento do peso é uma variável clínica a ser acompanhada, principalmente em pacientes com Anorexia Nervosa. Na FBT o peso do paciente sempre é medido nos primeiros 5-10 minutos de todas as sessões de terapia, porém os tratamentos via telessaúde dificultam a pesagem, pois a medição do peso ocorria de forma presencial. Neste caso é recomendado que os familiares pesem seus filhos em suas casas e relatem o peso verbalmente ou por mensagem no início de cada sessão, podendo combinar com o clínico qual seria a melhor opção. Caso os cuidadores apresentem resistência em pesar o paciente antes da sessão ou esquecem com facilidade, é recomendado orientá-los a realizar a pesagem durante a sessão de terapia na frente do clínico.

    O monitoramento do peso durante a pandemia é uma responsabilidade compartilhada entre profissional da saúde e cuidadores, sendo necessária psicoeducação sobre a importância deste dado científico no tratamento de seus filhos com anorexia e bulimia nervosa. É primordial que o uso da balança ocorra exclusivamente durante os primeiros minutos da terapia e depois os familiares se comprometam em mantê-la longe do alcance de seus filhos.

PRIVACIDADE E INTEGRANDO FAMÍLIAS DIVORCIADAS

    É importante antes das sessões sempre confirmar se a família está em um ambiente seguro para dar início ao atendimento. Recomenda-se o uso de fones de ouvido e lugares dentro ou fora de casa que tenham segurança para se expressarem durante a sessão. Os cuidadores podem usar aparelhos de ruídos, caso tenham parentes que não fazem parte da linha de frente do tratamento do adolescente na casa. Na sessão de reingresso familiar, quando o terapeuta precisar dar orientações específicas aos familiares longe do adolescente, é importante combinar o horário que ele retornará para a sessão. Em caso de famílias divorciadas é recomendado o uso de “sala de espera” para poder organizar o tempo de entrada de alguns membros ao longo do atendimento.

Na parte 3 deste texto abordaremos o acompanhamento das refeições, estratégias de comunicação e o gerenciamento de comportamentos durante a sessão do tratamento família via telessaúde.

Revisão técnica: Fellipe Augusto de Lima Souza – CRP: 06/138263

Referência bibliográfica: Matheson, B. E., Bohon, C., & Lock, J. (2020). Family‐based treatment via videoconference: Clinical recommendations for treatment providers during COVID‐19 and beyond. International Journal of Eating Disorders.


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Transtornos Alimentares e Diabetes

Este texto foi baseado no artigo Eating Disorders and Diabets, publicado em 2020 na Current Diabets Reports


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