Acompanhamento das refeições e estratégias de comunicação no tratamento de adolescentes com Transtornos Alimentares via Telessaúde (Parte 3)

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ACOMPANHAMENTO DAS REFEIÇÕES E ESTRATÉGIAS DE COMUNICAÇÃO NO TRATAMENTO DE ADOLESCENTES COM TRANSTORNOS ALIMENTARES VIA TELESSAÚDE (Parte 3)

Este texto é a continuação da parte 2 e foi baseado no artigo Family-based treatment via videoconference: Clinical recommendations for treatment providers during COVID-19 and beyond, publicado em 2020 no International Journal of Eating Disorders.

    Na parte 2 deste texto discutimos sobre como realizar o monitoramento do peso, manter a privacidade dos cuidadores e integrar as famílias divorciadas. Nesta terceira parte, discutiremos o acompanhamento das refeições, estratégias de comunicação e o gerenciamento de comportamentos durante a sessão do tratamento família via telessaúde.

ACOMPANHAMENTO DAS REFEIÇÕES

    Na FBT os terapeutas agendam com os familiares presencialmente sessões de acompanhamento das refeições e os orientam em como se comportar na mesa. Durante a pandemia, esse procedimento presencial não é possível, sendo recomendado o acompanhamento ocorra online, orientando os familiares a posicionar a câmera de forma adequada para facilitar a visualização da refeição do paciente. Antes da criança ou adolescente comer, é necessário fazer algumas perguntas sobre os alimentos que ele tem no prato, pedindo descrições sobre as comidas, para assim, avaliar possíveis respondentes de ansiedade ou resistência em aceitá-los. É importante que os cuidadores tenham orientações com terapeuta nutricional sobre possíveis dúvidas a respeito das porções, preparos, uso de suplementos, entre outras incertezas do processo de renutrição.

ESTRATÉGIAS DE COMUNICAÇÃO

    O tratamento oferecido via telessaúde requer algumas mudanças na comunicação verbal e gestual. No primeiro momento, o terapeuta pode utilizar de comentários sobre características do ambiente (quadros, cor da parede...) para desenvolver uma conexão afetiva com o paciente no início da sessão. É importante o clínico olhar para a câmera ao invés da tela para promover um maior contato visual. Retomar os combinados da terapia, que exige a participação de todos os membros da família, além de definir expectativas claras do compromisso de cada um deles no tratamento.

    Ao longo do atendimento é recomendado chamar cada membro familiar pelo nome e fazer perguntas diretivas. É primordial que a família sente-se em formato de círculo para que o terapeuta possa ter uma visão mais ampla de todos, e caso identifique alguma possível distração, converse com os cuidadores sobre a possibilidade de bloquear aquela desatenção.

    Comunicar a gravidade clínica do filho e manter os pais engajados pode envolver o maior uso de comunicação verbal e acentuada expressão fácil, mostrando de forma mais intensa semblantes faciais graves e de preocupação. O terapeuta precisa ficar sempre alerta para os pais não se acomodarem nos sintomas de seus filhos e contribuírem para a cronificação dos transtornos alimentares.

GERENCIAMENTO DO COMPORTAMENTO

    O ambiente doméstico pode fazer os pacientes agirem de formas que não o fariam dentro do consultório clínico. Isto pode incluir: desligar o computador, sair da sessão, se distrair excessivamente ou ficar andando pela casa durante o atendimento. É importante o terapeuta apoiar os cuidadores nas intervenções comportamentais para manter os filhos na sessão, sem necessariamente dizer o que eles precisam fazer. Caso o adolescente saia da sala, peça para ele retornar quando estiver pronto. E se o adolescente manter-se resistente em abrir a câmera, é aconselhável que ele mantenha-se por voz até sentir-se confortável para isso. Se o paciente desligar a sessão, é necessário ter o contato dos familiares para tentar se reconectar com ele, usando preferencialmente outro dispositivo.

Revisão técnica: Fellipe Augusto de Lima Souza – CRP: 06/138263

Referências bibliográficas: Matheson, B. E., Bohon, C., & Lock, J. (2020). Family‐based treatment via videoconference: Clinical recommendations for treatment providers during COVID‐19 and beyond. International Journal of Eating Disorders.

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