Cuidado Colaborativo: O Novo Modelo Maudsley

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CUIDADO COLABORATIVO: O NOVO MODELO MAUDSLEY

Este texto será dividido em 2 partes e foi baseado no artigo "Collaborative Care: The New Maudsley Model", publicado em 2015 no Eating Disorders: The Journal of Treatment & Prevention


O objetivo deste estudo é descrever a lógica e a prática da intervenção colaborativa de cuidado New Maudsley para famílias de pessoas com transtornos alimentares. A intervenção ensina aos cuidadores a teoria básica com exemplos práticos sobre como otimizar suas habilidades de cuidado, comunicação e enfrentamento. Isso inclui moderar emoções expressas e reduzir a tendência de acomodar e / ou permitir comportamentos de doença. As transcrições são usadas para dar exemplos dessa abordagem em ação. A base de evidências emergentes indica que essa abordagem melhora o bem-estar do cuidador e do paciente e também está associada a um uso mais eficiente de recursos

INTRODUÇÃO

A anorexia nervosa tem um profundo impacto interpessoal e frequentemente se desenvolve em um momento de transição dentro da família. A família e a rede social mais ampla têm recursos potenciais para remediar muitos dos problemas enfrentados pelos indivíduos com transtornos alimentares. Um indivíduo, por exemplo, usou a palavra “isolamento” para descrever sua jornada pessoal durante sua doença. A conexão contínua com a família pode melhorar a solidão e o isolamento. No entanto, as famílias muitas vezes relatam que não recebem as informações e habilidades de que precisam para gerenciar todas as fases da doença.

Várias adaptações ao FBT foram feitas. Uma variação era torná-lo mais adequado para pacientes adultos. Esta adaptação do FBT foi de benefício equivalente à terapia individual especialista (cognitivo analítico e dinâmico focal). Agora foi adaptada como a abordagem New Maudsley Collaborative Care para atender às necessidades complexas de famílias de pessoas no estágio severo de anorexia nervosa. Em essência, a família, o indivíduo e a equipe de tratamento trabalham em parceria para uma compreensão e abordagem compartilhadas de gerenciamento. A orientação e o apoio às famílias são semelhantes ao treinamento e supervisão oferecidos à equipe em unidades de internação especializadas, uma vez que os mesmos problemas, dilemas e dificuldades interpessoais ocorrem tanto em casa quanto no hospital. O intuito deste modelo de treinamento de habilidades colaborativas é equipar os cuidadores com habilidades que lhes permitam apoiar melhor seus entes queridos em um espírito de colaboração e compaixão para um futuro mais saudável.

VISÃO GERAL DA INTERVENÇÃO

Para a abordagem de cuidado colaborativo de New Maudsley, “cuidadores” são definidos como indivíduos que fornecem ajuda e apoio não remunerados, como pais, filhos, parceiros, parentes, amigos ou vizinhos. Inicialmente, esta intervenção foi entregue como uma oficina de treinamento para várias famílias. Os workshops (curso de 6h a 2h) são conduzidos por membros da equipe com experiência em trabalho familiar, juntamente com um guia de recuperação pago (ou seja, um indivíduo que se recuperou da anorexia nervosa). Esses indivíduos são "pacientes especialistas". Este trabalho conjunto é particularmente benéfico, pois inspira esperança de que a recuperação pode ocorrer e leva a um entendimento compartilhado da recuperação.

TEORIA E JUSTIFICATIVA DE BASE PARA O TRATAMENTO

O modelo de enfrentamento do cuidador é baseado no modelo de enfrentamento de tensão padrão. Há inevitavelmente estresse do papel de cuidador, incluindo carga objetiva e subjetiva. Existem também fatores de proteção que amortecem esse efeito, mas ansiedade e depressão podem ocorrer se houver falta de equilíbrio entre o estresse e os fatores de proteção. Ensinamos aos cuidadores uma abordagem chamada estilo “C”, que inclui compaixão, cooperação com uma abordagem colaborativa e consistente com outras pessoas próximas. Assim, os cuidadores são ensinados a refletir sobre sua própria abordagem da doença, utilizar a inteligência emocional e reduzir o enredamento, encorajando seu ente querido a assumir a responsabilidade por seu próprio bem-estar no contexto de limites acordados, ou seja, comer não é negociável. Montamos o cenário enfatizando como o currículo corresponde ao usado para treinar profissionais em unidades especializadas em transtornos alimentares. Isso elimina qualquer suposição implícita de que os cuidadores são os culpados ou são deficientes de alguma forma. Explicamos que essas habilidades essenciais levam anos de treinamento, prática e supervisão para os profissionais de saúde dominarem e não esperamos que eles sejam proficientes com 12 horas de treinamento.

Revisão técnica: Fellipe Augusto de Lima Souza – CRP: 06/138263

Referência: Treasure, J., Rhind, C., Macdonald, P., & Todd, G. (2015). Cuidado colaborativo: o novo modelo maudsley. Transtornos alimentares , 23 (4), 366-376.


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Resultados adversos na gravidez e pós parto e a associação com transtornos alimentares

Artigo baseado no texto Eating disorders are associated with adverse obstetric and perinatal outcomes: a systematic review publicado em 2021 no Brazilian Journal of Psychiatry

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O corpo questiona e a mente julga: Desejos por comida em Transtornos Alimentares

Esse texto foi baseado no artigo The body asks and the mind judges: Food cravings in eating disorders publicado em Janeiro de 2020 na L’Encéphale - journal of general Psychiatry.

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Transtornos Alimentares em pacientes pós cirurgia bariátrica: A cirurgia bariátrica está envolvida no desenvolvimento de transtornos após o procedimento?

Este texto foi baseado no artigo The Development of Feeding and Eating Disorders after Bariatric Surgery: A Systematic Review and Meta-Analysis publicado em 2021 na Revista Nutrients.