Risco de Transtornos Alimentares em Praticantes de Atividade Física

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RISCO DE TRANSTORNOS ALIMENTARES EM PRATICANTES DE ATIVIDADE FÍSICA

Este texto foi baseado no artigo "Body dissatisfaction, addiction to exercise and risk behaviour for eating disorders among exercise practitioners", publicado em 2020 no Journal of Eating Disorders


    Ao longo do texto iremos investigar a associação entre insatisfação corporal (IC), dependência de exercício e comportamentos de risco para transtornos alimentares (TA) entre brasileiros praticantes de atividades físicas

    A imagem corporal pode ser definida como a percepção que um indivíduo possui em mente sobre o tamanho, estrutura, forma e contorno de seu próprio corpo, assim como os sentimentos relativos a essas características. Segundo Fortes, Almeida e Ferreira (2012), a imagem corporal pode ser focalizada na magreza, que se refere à depreciação da gordura corporal, e na musculatura, que corresponde à preocupação com o tamanho e volume muscular.

    Insatisfação corporal (IC) é uma desordem do componente atitudinal da imagem corporal e inclui duas esferas: a avaliativa, que é caracterizada pela diferença entre a imagem corporal atual e a ideal; e a afetiva, que se refere ao sofrimento do indivíduo devido a esta diferença. IC é uma construção multidimensional que pode ser associada de forma isolada ou conjunta ao peso, às formas do corpo e à aparência. Apesar da literatura apontar que as mulheres são mais propensas a desenvolver IC relacionada à magreza, alguns estudos mostram que os homens têm uma maior prevalência de dismorfia muscular devido ao objetivo obsessivo de alcançar hipertrofia muscular com o mínimo de gordura corporal. Essa insatisfação pode levar à busca da transformação da imagem do próprio corpo através do uso de anabolizantes sem prescrição médica, planejamento nutricional inadequado, exercícios físicos em excesso e procedimentos estéticos invasivos.

    Embora esteja cientificamente comprovado que o exercício físico proporciona inúmeros benefícios, estudos recentes indicam que a prática excessiva de atividades físicas pode levar ao desenvolvimento de comportamentos patológicos dependentes que ocorre tanto em atletas, quanto em não atletas, como por exemplo: vício em exercícios, abstinência, depressão, ansiedade, risco de transtornos alimentares (TA), etc.

    Os principais resultados mostraram que os indivíduos insatisfeitos com seus corpos mostraram maior nível de dependência de atividades físicas e comportamento de risco para os TAs. Além disso, há uma diferença significativa entre homens e mulheres somente em IC, indicando que as mulheres estavam mais insatisfeitas com o próprio corpo do que os homens. Também foi encontrada uma diferença na presença de TA de acordo com a faixa etária, indicando que praticantes mais jovens (até 25 anos de idade) mostraram maior indicação de TA em comparação com praticantes faixa etária de idade maior.

    Outro resultado deste estudo é a associação de IC com a dependência de exercício e a presença de comportamento de risco para TA, confirmando a primeira hipótese deste estudo. Esta descoberta revela que a insatisfação com o corpo pode ser um fator potencializador para o desenvolvimento de comportamentos patológicos e viciantes, tais como a dependência ao exercício e o comportamento de risco para TA. Estes comportamentos dependentes podem ser explicados pelo fato de que indivíduos com menos aceitação de seu próprio corpo são mais ativos fisicamente e, consequentemente, mais suscetíveis a desenvolver comportamentos de risco para os TA. Esta descoberta revela que o IC pode ser considerado um fator prejudicial à saúde física e mental, uma vez que pode levar à adoção de comportamentos dependentes. Tais descobertas podem estar relacionadas ao fato de que exercícios estéticos [por exemplo, academia e crossfit estão associados ao desenvolvimento físico e corporal, o que pode causar maior pressão sobre o praticante na busca deste objetivo e, como consequência, desencadear comportamentos patológicos.

    Do ponto de vista prático, os resultados sugerem alguns implicações relevantes para profissionais de educação física que trabalham com prescrição de exercícios. É importante que instrutores e treinadores pessoais analisam os motivos reais dos indivíduos para iniciar a prática do exercício, sempre considerando a modalidade escolhida. É essencial enfatizar os efeitos do treinamento de longo prazo com foco na manutenção da saúde e qualidade de vida, sempre respeitando a individualidade corporal e a evolução saudável dos treinos.


Revisor técnico: Fellipe Augusto de Lima Souza – CRP: 06/138263

Referencia bibliográfica: Freire, G. L. M., da Silva Paulo, J. R., da Silva, A. A., Batista, R. P. R., Alves, J. F. N., & do Nascimento Junior, J. R. A. (2020). Body dissatisfaction, addiction to exercise and risk behaviour for eating disorders among exercise practitioners. Journal of Eating Disorders, 8(1), 1-9.

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