Intervenções Baseadas em Casais para Adultos com Transtornos Alimentares

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INTERVENÇÕES BASEADAS EM CASAIS PARA ADULTOS COM TRANSTORNOS ALIMENTARES

Este texto foi baseado no artigo "Couple-Based Interventions for Adults with Eating Disorders", publicado em 2015 no The Journal of Treatment & Prevention


    Um número significativo de adultos com transtornos alimentares não consegue obter alívio do transtorno, com muitos abandonando o tratamento ou tendo recaídas. O tratamento padrão continua sendo uma terapia individual, apesar dos parceiros serem afetados negativamente e, normalmente, querem ajudar de uma forma eficaz e amorosa. Propomos que as intervenções baseadas no casal, que alavancam o apoio de um parceiro e o relacionamento no tratamento, podem melhorar os resultados e as taxas de recuperação para adultos com transtornos alimentares. 

Por que tratamentos para transtornos alimentares baseados em casais?

    Indivíduos que se recuperaram de transtornos alimentares descrevem relacionamentos de apoio como vitais para sua recuperação. No entanto, alguns podem ter dificuldade em manter relacionamentos saudáveis ​​no meio de um transtorno alimentar, pois o transtorno pode afetaro não apenas o indivíduo, mas também o parceiro e o relacionamento. Casais em que algum dos parceiros possui algum tipo de TA relatam sofrimento significativo no relacionamento, níveis reduzidos de interação positiva e comunicação mais negativa do que casais sem TA. Dificuldades em torno do funcionamento sexual e da intimidade no relacionamento também são comuns.

    Os desafios no relacionamento romântico provavelmente se devem a muitos fatores do paciente e do parceiro (incluindo biológicos, temperamentais, comportamentais e ambientais) relacionados e não relacionados ao transtorno. Por exemplo, muitos indivíduos com anorexia nervosa (AN) são emocionalmente evitativos e lutam para expressar seus sentimentos, o que pode afetar negativamente sua capacidade de articular suas necessidades, tolerar angústia no relacionamento ou permanecer próximos de outras pessoas. Adultos com bulimia nervosa (BN) geralmente não possuem habilidades de comunicação construtivas e tendem a ser impulsivos, o que pode contribuir para interações negativas dentro do relacionamento. Os parceiros comumente relatam dificuldade em compreender o transtorno alimentar, muitos descrevem sentimentos de impotência e como se suas tentativas bem-intencionadas de apoiar o ente querido fossem inúteis.

    Felizmente, a terapia cognitivo-comportamental de casal (CBCT), que visa a dinâmica interpessoal para aumentar a satisfação no relacionamento, demonstrou eficácia no tratamento de uma variedade de transtornos psiquiátricos, incluindo também depressão e ansiedade. Esses dados, que sugerem que intervenções baseadas em casais para transtornos alimentares podem ajudar a tratar o transtorno de forma mais eficaz, nos levam a desenvolver a primeira intervenção baseada em casais para Anorexia (AN).

Unindo Casais no Tratamento da Anorexia Nervosa (UCAN)

    A UCAN integra CBCT e terapia cognitivo-comportamental (CBT) para AN para tratar o transtorno. Dada a complexidade da AN, o UCAN foi projetado como um acréscimo à terapia individual, aconselhamento nutricional e gerenciamento de medicamentos para garantir que o tratamento aborde de forma adequada todos os aspectos do TA. Esta constituída em 3 fases:

Fase 1 - Criando uma Base para o Trabalho Posterior

    O tratamento UCAN começa ajudando o casal a construir uma base de apoio para abordar AN de maneira eficaz como uma equipe, visando três objetivos: (1) compreender a experiência do casal com AN, (2) fornecer psicoeducação sobre AN e o processo de recuperação, e (3) ensinando ao casal habilidades de comunicação. 

Fase 2 - Lidando com a Anorexia Nervosa no Contexto de um Casal

   Nesta fase, o casal trabalha junto para abordar uma série de desafios de AN para promover uma alimentação saudável, exercícios e outros padrões de comportamento relevantes, incluindo arranjos para comer juntos, abordando questões sobre comer em público e mudando padrões de interação do casal inúteis para mais adequados estratégias. Aplicando suas habilidades de comunicação, o casal discute questões de imagem corporal e como eles podem interagir melhor em torno deste domínio desafiador. Distorções da imagem corporal e insatisfação corporal podem ser duas das características mais confusas e desafiadoras da AN para o parceiro; portanto, é importante que o casal tenha a oportunidade de aumentar a compreensão e a empatia pelas experiências de imagem corporal um do outro.

Fase 3 - Prevenção de Recaídas e Rescisão

    A fase três da UCAN encerra o tratamento, com foco na prevenção da recaída e nas próximas etapas do casal no processo de recuperação da AN. Com a orientação do terapeuta, o casal desenvolve respostas combinadas apropriadas caso ocorra um lapso ou recaída total para os comportamentos de transtorno alimentar do paciente e os sintomas relacionados, e a abordagem do casal para lidar com o transtorno. Assim, o casal pode abordar como discutirão suas preocupações se o paciente voltar a restringir a alimentação, em vez de evitar os problemas como casal.


Revisão técnica: Fellipe Augusto de Lima Souza – CRP: 06/138263

Referências: Kirby, J. S., Runfola, C. D., Fischer, M. S., Baucom, D. H., & Bulik, C. M. (2015). Couple-based interventions for adults with eating disorders. Eating disorders, 23(4), 356-365.

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  • Dra. Evelyn Tribole
  • Quarta 12 de Janeiro a 23 de Fevereiro das 20h às 21h (horário de Brasília)
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  • Vagas Limitadas

O que é o Comer Intuitivo? É uma abordagem de intervenção no comportamento alimentar focado na melhora da relação com alimentação, corpo e mente.

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Qual a Utilidade Clínica da Dependência Alimentar?

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