Transtornos Alimentares em Gestantes

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TRANSTORNO ALIMENTARES EM GESTANTES 

Este texto foi baseado no artigo Eating Disorders in Pregnant and Breastfeeding Women: A Systematic Review, publicado em 2020 no Medicina Journal.

    A gravidez é uma etapa associada a mudanças metabólicas, hormonais e emocionais no organismo materno, juntamente com a preocupação em manter um peso adequado. Esses fatores podem contribuir para o surgimento de certas complicações clínicas e psicológicas.

    A preocupação relacionada ao peso e a forma corporal são normativas na fase do pós-parto, mesmo em mulheres sem transtornos alimentares (TAs). Os dados demonstram que no primeiro mês após o parto, 75% novas mães estão preocupadas com a perda de peso, e em quatro meses de pós-parto, 70% estão tentando perder peso. Durante este período, muitas relatam uma restrição alimentar significativa, evitando alimentos considerados “calóricos”, tendências a fazerem dietas e o aumento de regras alimentares rígidas.

    Atualmente, as pesquisas sugerem que até 7,5% das mulheres grávidas sofrem de algum transtorno alimentar, sendo 0,5% de Anorexia, 0,1% Bulimia, 1,8% Transtorno de Compulsão Alimentar, 0,1% de Transtorno purgativo e 5% Transtornos Alimentares Não-Especificados.

TRANSTORNOS ALIMENTARES E AS CONSEQUÊNCIAS NO PERÍODO GESTACIONAL

    As grávidas que tinham diagnóstico de transtornos alimentares antes da gestação apresentaram uma redução da psicopatologia alimentar, sendo o período gestacional considerado um fator de proteção. Entretanto, estes sintomas podem retornar ao estado basal da doença após o parto ou até mesmo aumentar pelos incômodos associados à mudança corporal.

    É importante mencionar que os TAs não afetam apenas a saúde da mãe, como também influenciam na formação, crescimento e nascimento dos bebês. Dependendo do subtipo de TA, as consequências parecem ser diferentes. As complicações observadas com maior prevalência em mulheres com TA incluem hipotermia, hipotensão, edema, hipertensão, abortos espontâneos, nascimentos prematuros e crescimento intrauterino reduzido. As mulheres com TAs também têm uma proporção maior de gravidezes indesejadas do que as que não os possuem. Para as mulheres com bulimia, foram relatadas maiores proporções de abortos induzidos, aumento do risco de hiperêmese, bebês com microcefalia ou com baixo peso para a idade gestacional. Além disso, em um estudo transgeracional conduzido por Hunna J Watson, observou-se que as condições do útero podem determinar fatores de risco para o desenvolvimento dos TAs. As mães nascidas com um peso mais baixo tinham maior probabilidade de desenvolver anorexia. Entretanto, ela relata que a bulimia não estava associada a fatores perinatais.

    A pesquisa indica que algumas mulheres têm expectativas irreais sobre seus corpos no período pós-parto, de modo que mudanças físicas podem produzir variações na percepção da imagem corporal, levando a elevados graus de insatisfação com o próprio corpo e distorção de imagem.

Revisão técnica: Fellipe Augusto de Lima Souza – CRP: 06/138263

Referência bibliográfica: Martínez-Olcina, M., Rubio-Arias, J. A., Reche-García, C., Leyva-Vela, B., Hernández-García, M., Hernández-Morante, J. J., & Martínez-Rodríguez, A. (2020). Eating Disorders in Pregnant and Breastfeeding Women: A Systematic Review. Medicina, 56(7), 352


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