Transtornos Alimentares e Diabetes

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TRANSTORNOS ALIMENTARES E DIABETES

Este texto foi baseado no artigo Eating Disorders and Diabets, publicado em 2020 na Current Diabets Reports

    O objetivo desta revisão descreve as características dos pacientes com transtornos alimentares tanto no diabetes tipo 1 quanto no tipo 2 e os princípios de seu tratamento.

INTRODUÇÃO

    A combinação de diabetes tipo 1 e transtorno alimentar é às vezes conhecida como “diabulimia”, mas este nome não é particularmente apropriado, já que nem todos os pacientes com diabetes e transtorno alimentar comem compulsivamente, que é a característica definidora da bulimia nervosa; no entanto, o termo ganhou ampla aceitação.

    A marca registrada da condição é que o paciente toma deliberadamente uma quantidade inadequada de insulina para controlar seu peso corporal (restrição de insulina). Outros comportamentos alimentares desordenados, como restrição alimentar, vômito auto induzido e compulsão alimentar, também podem estar presentes, mas a anorexia nervosa típica é rara. Há um aumento da prevalência de transtornos alimentares em adolescentes com diabetes tipo 1, estimada em 7%. A combinação de diabetes tipo 1 e transtorno alimentar leva um risco aumentado de complicações agudas e crônicas. A triagem é recomendada, mas raramente realizada. O manejo requer uma compreensão das inter-relações entre o comportamento alimentar, humor, glicose no sangue e administração de insulina. O tratamento visa introduzir um padrão alimentar regular e ajudar o paciente a aumentar gradativamente a dose de insulina. Os transtornos alimentares também ocorrem em pessoas com diabetes tipo 2, onde o transtorno da compulsão alimentar periódica é o diagnóstico mais comum.

EPIDEMIOLOGIA

    Agora está estabelecido que há um aumento da prevalência de transtornos alimentares entre pacientes com diabetes tipo 1. O maior estudo até o momento encontrou uma prevalência de transtornos alimentares de 10% em mulheres adolescentes com diabetes tipo 1, em oposição a 4% em controles não diabéticos; os transtornos alimentares abaixo do limiar também foram mais comuns. Outro estudo com adolescentes de ambos os sexos com diabetes tipo 1 descobriu que 11,5% das meninas e nenhum dos meninos tinham transtornos alimentares. Uma revisão sistemática de adolescentes com diabetes tipo 1 encontrou uma prevalência de 7%. O comportamento alimentar perturbado, que não atinge necessariamente o limiar de um diagnóstico formal, é ainda mais comum; um grande estudo norueguês descobriu que 27,7% das mulheres e 8,6% dos homens com idade entre 11 e 19 anos com diabetes tipo 1 tinham evidências de distúrbios alimentares. A prevalência de transtornos alimentares não diagnosticados em pacientes com diabetes é desconhecida.

ETIOLOGIA

    Existem vários motivos pelos quais os transtornos alimentares podem ser mais comuns em pessoas com diabetes tipo 1. Obviamente, o controle do diabetes enfatiza a alimentação e o peso desde o início. O próprio diagnóstico de diabetes é estressante, e os jovens podem se ressentir da maneira como isso os diferencia de seus colegas. A sensação de não estar no controle do corpo e a ansiedade sobre complicações ou morte podem contribuir para uma maior necessidade de controle em outras áreas da vida, como peso e alimentação. Fatores de risco identificados para transtornos alimentares no diabetes tipo I incluem preocupações com peso e forma, depressão e IMC mais alto. O aparecimento de diabetes na infância pode levantar questões em relação a quem tem controle sobre a dieta e a administração de insulina. Na primeira infância, os pais tendem a assumir a responsabilidade por ambos, e a transferência da responsabilidade para o jovem pode causar ansiedade para ambas as partes. As decisões sobre o controle do diabetes podem se enredar na busca normal do adolescente por autonomia e no conflito resultante com os pais. Para o jovem, o fracasso em controlar o diabetes de maneira eficaz pode ser uma forma de expressar ressentimento pelo diagnóstico e pode servir como uma poderosa comunicação dentro da família.

    Foi sugerido que as restrições alimentares impostas pelo controle do diabético podem desencadear a compulsão alimentar e que a restrição de insulina é então usada como meio de controle do peso compensatório. No entanto, é provável que os fatores relacionados ao humor também sejam importantes e os pacientes que relatam restrição de insulina tenham sofrimento emocional e depressão mais graves do que aqueles que não o fazem. A restrição de insulina está associada a atitudes mais negativas em relação ao diabetes, uma sensação de ineficácia pessoal e dificuldade em reconhecer estados emocionais. Para uma minoria de pacientes, a restrição de insulina representa uma forma de automutilação.

ALIMENTAÇÃO E MONITORAMENTO DE GLICOSE NO SANGUE

    O tratamento deve ter como objetivo introduzir alguma estabilidade e regularidade no padrão alimentar do paciente. Para quem tem um padrão alimentar caótico, com períodos alternados de restrição e compulsão alimentar, é importante estabelecer uma alimentação regular. O terapeuta deve explicar ao paciente que uma ingestão regular de carboidratos é essencial para reduzir a vontade de comer compulsivamente, e eles devem ser incentivados a fazer uma dieta balanceada, que não exclua carboidratos. Atenção também deve ser dada aos gatilhos psicológicos para comer em excesso. Para pacientes que seguem uma dieta altamente restrita, um aumento gradual na ingestão de calorias (incluindo carboidratos) é apropriado.

Revisão técnica: Fellipe Augusto de Lima Souza – CRP: 06/138263

Referência: Winston, A. P. (2020). Eating Disorders and Diabetes. Current Diabetes Reports, 20(8), 1-6.

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