Conhecendo os Tipos de Automonitoramento do Diário Alimentar (Parte 1)

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CONHECENDO OS TIPOS DE AUTOMONITORAMENTO DO DIÁRIO ALIMENTAR (Parte 1)

Este texto será dividido em 2 partes e foi baseado no artigo Efficacy and acceptability of self-monitoring via a smartphone application versus traditional paper records in an intensive outpatient eating disorder treatment setting , publicado em 2020 na Europen Eating Disorders Review.

    O diário alimentar no tratamento dos transtornos alimentares (TAs) normalmente envolve o registro em papel de todas as refeições, pensamentos, sentimentos e comportamentos associados ao ato de comer. Este registro é um pilar essencial para melhor avaliar, intervir e compreender os comportamentos alimentares do paciente. No início de todas as sessões de psicoterapia e terapia nutricional, o paciente apresenta o diário alimentar para que o clínico possa direcionar o atendimento e oferecer intervenções específicas com base em sua semana.

    O automonitoramento através do diário alimentar desempenha uma função integral no tratamento, pois permite que os pacientes acompanhem seu progresso ao longo do tempo, facilita a compreensão de hábitos alimentares transtornados e a visualização de comportamentos e cognições disfuncionais. Entretanto, apesar do automonitoramento ser crucial na recuperação, a não aderência é comumente observada entre os pacientes quando solicitados a fazerem o registro no papel em tempo real. Como resultado, os clínicos são menos capazes de fornecer intervenções específicas para ajudar os pacientes a identificar comportamentos disfuncionais e caminhar em direção a um melhor prognóstico.

    Existem várias barreiras potenciais à adesão ao automonitoramento com registros em papel, incluindo: possíveis sentimentos de vergonha ou estigmatização, especialmente quando se come com outras pessoas ou em público. Estas barreiras sugerem que o monitoramento em tempo real pode não ser viável e pode contribuir para registros retrospectivos, menos precisos e, em última análise, um tratamento mal sucedido.

    Uma solução potencial para as barreiras associadas ao automonitoramento em papel é o uso de aplicativos em smartphones (ou os "apps") para fazer os registros, ao invés dos que são comumente feitos em cadernos ou agendas.

    De fato, os aplicativos têm sido efetivamente usados no tratamento de algumas doenças mentais, como depressão, ansiedade e abuso de substâncias. Uma análise geral relatou que estes aplicativos têm taxas médias a altas de uso relatado, viabilidade e satisfação entre os usuários, indicando que os apps são percebidos como ferramenta benéfica para melhorar o automonitoramento.

    Como o uso da tecnologia está se tornando mais comum no campo da saúde mental, não é surpreendente que haja um alto nível de interesse em incorporar a tecnologia no tratamento de transtornos alimentares (TAs). Porém, embora este interesse seja alto, ainda há uma escassez de estudos rigorosamente projetados que examinem a eficácia e a aceitabilidade dos aplicativos que foram incorporados aos tratamentos. Então, qual seria a melhor forma de automonitoramento do diário alimentar? Este dado apresentaremos na parte 2 deste texto! Não perca!

Revisão técnica: Fellipe Augusto de Lima Souza – CRP: 06/138263

Referencia bibliográfica: Keshen, A., Helson, T., Ali, S., Dixon, L., Tregarthen, J., & Town, J. (2020). Efficacy and acceptability of self‐monitoring via a smartphone application versus traditional paper records in an intensive outpatient eating disorder treatment setting. European Eating Disorders Review.

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Resultados adversos na gravidez e pós parto e a associação com transtornos alimentares

Artigo baseado no texto Eating disorders are associated with adverse obstetric and perinatal outcomes: a systematic review publicado em 2021 no Brazilian Journal of Psychiatry

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